quarta-feira, 30 de junho de 2010

Falsas Virtudes.

A bordo do navio do cruzeiro, que diabos sou eu?
Já pedi inúmeras desculpas, mas não sei se adiantou.
Milhares de sapatos espalhados pelo chão. Os amigos adormeceram.
Pela minha glote passa apenas um filete de água e minha boca seca exige mais. Ok. Ouço vozes.
São meus passageiros-amigos e eles estão tranqüilos. Mas não eu.
Estou nervoso e não consigo voltar ao normal.
Que Sorte.
Não sei exatamente como manter o leme distante de problemas.
Me alimento de conflitos e neles estou viciado.
Talvez um revolver resolvesse isso com um só disparo.
Não há música, só o barulho do motor.
Daqui a pouco partiremos rumo ao destino do sucesso e da “felicidade”.
Milhares de pessoas gritando, cantando, dançando e algumas horas depois...
Lá estou sozinho novamente.
É assim que é. É assim que pode ser.

Não sei amar e pronto.
Me sinto incomodado com isso, mas essa é a verdade.
Continuarei fingindo que está tudo certo. E não está?
Você enxerga em mim algo de errado? Diga-me que disfarço bem.
Eu disfarço bem!
Quero plantar sementes disciplinadas. Criar uma nova lei para mim, mas sempre falho. As chibatadas deveriam ser minhas e pra mais ninguém.
Mas me sobra poder diante dos mais fracos e isso é ridículo, vamos além.
Essa culpa que me enrijece. Essa lágrima que não escorre, esse sorriso que estampa apenas a minha face, não minha alma, é o que posso oferecer.
Falsas virtudes.

Perdoem-me as falhas, não sou de ferro. Preciso de luz para sobreviver.
Amo muito todos que me cercam, mas infelizmente não sei dizer.
Essa é que é a verdadeira verdade.
Esse é meu ser.

Abominação.

Abra a janela e afaste este oxigênio viciado.
Deixe que bons ares invadam seu coração.
Pra que tanto medo?
Não há só uma abominação.

Lembra das coisas simples?
Não deixe o tempo apagar.
Os sorrisos que ofereceu
A quem tentou te afogar

Vamos lá...
descontamine a tua alma
Transforme raiva em cor
Jogue esses livros inúteis fora
Mastigue esta dor.

Não pense que eles dominaram o mundo.
Não este que a ti pertence
Reflita sobre o amor e a bondade em sua mais pura essência
Venha com a gente.

Há um infinito de lindas oportunidades ao seu aguardo.
Basta escolher o que lhe cabe a vencer.
Se desistir agora,
Então eles merecem vencer.

Vai dar este gostinho aos filhos da puta?

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Cortar o Tempo.

Quem teve a idéia de cortar o tempo em fatias,
a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.

Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.

Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez,
com outro número e outra vontade de acreditar que daqui pra diante vai ser diferente.

Carlos Drummond de Andrade.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Diferença.

Ele se acha diferente. Ele é diferente.
Ela se acha normal. Uma menina normal.
Ele se diz diferente, porque não se veste igual outras pessoas, não faz o estilo da maioria, seu intelecto é muito diferente dos outros.
Ela se diz que é normal, porque se veste como todas as outras, fala as mesmas coisas que as outras, tem o mesmo estilo das outras.
Ele parece ser um cara que tem muitos amigos, que só vive feliz e só sabe rir. Isso, segundo ele, torna o diferente dos outros.
Ela é mais restrita, assim como as meninas da sua idade, só tem cabeça para o estudo, chega a ficar “azul” quando tem alguma prova.
Ele sabe que pode muito bem ficar com qualquer uma, mas não acha isso legal. Isso, segundo ele, torna o diferente.
Ela usa um “muro de concreto” no seu coração, e para entrar só com um tanque de guerra.
Ele sempre pensa nela antes de dormir.
Ela pensa no dever do outro dia.

Ele está apaixonado.
Ela não.

Lua de Verão.

A Lua ilumina a maioria das minhas noites de verão.
Graças a ela, conheci você.
Graças a ela tivemos nosso relacionamento.
Graças a ela ganhei inúmeros beijos de você.
Graças a ela conheci meu verdadeiro amor.
Ela se foi, e você também.
Mas eu sei que ela volta no próximo verão, mas você não.